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Conselho consultivo: quando faz sentido e como montar

Um conselho consultivo traz experiência de fora para as decisões da empresa, sem a estrutura de um conselho de administração. Quando ele ajuda, como escolher os conselheiros e como fazer as reuniões renderem.

Por Samanta Ramos5 min de leitura

Executiva sorridente em um ambiente de trabalho

Em resumo

  • O conselho consultivo aconselha. As decisões continuam com os sócios e a diretoria.
  • Costuma fazer sentido em momentos de crescimento, sucessão, profissionalização ou mudança de estratégia.
  • Bons conselheiros trazem o que falta à empresa, e não o que ela já tem.
  • Pauta preparada, materiais enviados antes e registro das recomendações fazem as reuniões renderem.

Os dois sócios de uma empresa de tecnologia para o varejo chegaram a um impasse. Um queria abrir uma operação no México. O outro achava que ainda havia muito espaço no Brasil. As conversas iam e voltavam havia meses, sempre com os mesmos argumentos. Faltava alguém de fora, com experiência em expansão internacional, para trazer perguntas que eles não estavam fazendo.

Situações assim são comuns em empresas que cresceram rápido e continuam sendo dirigidas pelas mesmas pessoas que as fundaram. O conselho consultivo é uma das formas de trazer esse olhar externo de maneira organizada.

O que é um conselho consultivo

É um grupo de pessoas experientes, geralmente de fora da empresa, que se reúne periodicamente para discutir temas estratégicos e aconselhar os sócios e a diretoria. A palavra-chave é aconselhar: as recomendações do conselho consultivo orientam, mas as decisões continuam com quem dirige a empresa.

Essa é a principal diferença em relação ao conselho de administração, que é um órgão com responsabilidades formais de deliberação e fiscalização. Por ser mais leve, o conselho consultivo costuma ser o primeiro passo de empresas de capital fechado e familiares no caminho da governança. O IBGC, Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, dedica uma publicação ao tema, voltada justamente para empresas de capital fechado.

Quando faz sentido

  • Crescimento acelerado: a empresa está entrando em um estágio que os sócios ainda não viveram.
  • Mudança de estratégia: novos mercados, novos produtos, aquisições.
  • Sucessão: a transição de uma geração para outra, ou do fundador para executivos profissionais.
  • Profissionalização: a empresa quer criar rotinas de planejamento, acompanhamento de resultados e prestação de contas.
  • Preparação para investimento: investidores costumam olhar a governança da empresa com atenção.

Quem convidar

O erro mais comum é convidar pessoas próximas, que pensam parecido com os sócios. Um bom conselho consultivo traz o que falta à empresa, e não o que ela já tem.

  1. 01

    Comece pelos desafios

    Liste os três ou quatro temas estratégicos dos próximos anos: expansão, finanças, tecnologia, gente. Eles definem as competências que o conselho precisa ter.

  2. 02

    Busque complementaridade

    Cada conselheiro deve trazer uma experiência diferente. Três pessoas com a mesma trajetória valem por uma.

  3. 03

    Avalie a independência

    Conselheiros sem relação comercial ou pessoal com os sócios costumam se sentir mais livres para discordar, e é para isso que eles estão ali.

  4. 04

    Converse antes de convidar

    Entenda a disponibilidade, a motivação e o estilo de cada pessoa. Um conselheiro que não tem tempo para ler os materiais não ajuda.

Um conselho consultivo costuma ter entre três e cinco membros, às vezes com a participação de um ou dois sócios. Grupos maiores tornam as reuniões longas e dispersas.

Como fazer as reuniões renderem

Conselhos consultivos que não funcionam costumam ter o mesmo problema: reuniões que viram apresentações de resultados, sem tempo para discutir o que importa.

  • Frequência definida: reuniões mensais, bimestrais ou trimestrais, com calendário do ano definido no início.
  • Pauta com poucos temas: dois ou três assuntos estratégicos por reunião, com tempo para discussão.
  • Material antes: números, contexto e perguntas enviados com alguns dias de antecedência. A reunião é para discutir, não para ler.
  • Registro: uma ata simples com as recomendações e os próximos passos, retomada na reunião seguinte.
  • Avaliação: uma vez por ano, sócios e conselheiros conversam sobre o que funcionou e o que mudar.

Confidencialidade

Combine com os conselheiros, desde o início, que as informações discutidas são confidenciais. Um termo simples de confidencialidade é uma prática comum e dá tranquilidade para os dois lados.

Remuneração e prazo

Muitos conselhos consultivos são remunerados por reunião ou com um valor mensal fixo, definido de acordo com a experiência dos conselheiros e a dedicação esperada. Definir um mandato, de um ou dois anos, renovável, ajuda a revisar a composição conforme a empresa muda.

Do consultivo ao conselho de administração

Para muitas empresas, o conselho consultivo é uma etapa. À medida que a empresa cresce, recebe investidores ou se prepara para outros passos, ele pode evoluir para um conselho de administração, com atribuições formais. O aprendizado de trabalhar com um conselho, de preparar materiais, discutir com pessoas de fora e acompanhar recomendações, facilita muito essa transição.

Erros comuns

  • Conselho de amigos: pessoas próximas, que concordam com tudo, não trazem o olhar externo que justifica o conselho.
  • Reuniões sem preparação: conselheiros que recebem os números na hora não conseguem contribuir com profundidade.
  • Recomendações sem acompanhamento: se o que foi discutido não volta à pauta, o conselho perde o sentido, e os conselheiros perdem o interesse.
  • Confusão de papéis: conselheiros que passam a interferir na gestão do dia a dia, ou sócios que esperam que o conselho decida por eles.

Boa parte desses erros se resolve com um regimento simples, de uma ou duas páginas, que defina o papel do conselho, a frequência das reuniões, a forma de preparar os materiais e o que se espera dos conselheiros.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre conselho consultivo e mentoria?

A mentoria é uma relação individual, geralmente focada no desenvolvimento de uma pessoa. O conselho consultivo é coletivo e focado na empresa: estratégia, resultados e decisões importantes.

Empresa pequena pode ter conselho consultivo?

Pode. Muitas empresas começam com dois ou três conselheiros e reuniões trimestrais. O importante é ter clareza sobre o que a empresa espera do conselho e disciplina para preparar as reuniões.

Como encontrar bons conselheiros?

Pela rede de contatos dos sócios, por indicações de outros empresários e de associações de governança, ou com o apoio de uma consultoria de busca de executivos, que mapeia perfis com a experiência que a empresa procura.

Fontes

  1. IBGC. A importância do conselho consultivo em empresas de capital fechado (coleção IBGC Orienta)

Conteúdo informativo, preparado para ajudar no dia a dia de quem contrata e lidera pessoas. Não substitui a orientação de um advogado, contador ou especialista para o caso da sua empresa.

Escrito por

Samanta Ramos

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